Linhas livres

17 de agosto de 2017

Sempre gostei de traçar linhas, mas sem qualquer minúcia ou perfeição.
Nunca gostei de régua ou esquadro, para mim a arte sempre foi enquadrada apenas pela imaginação.
Livres, acho que posso dizer que as minhas linhas são livres de seguir o seu rumo.
Não gosto de linhas paralelas, não gosto de passar perto de algo e não o sentir.
Quero tomar todas as direções que me seduzam, quero que as minhas linhas tenham movimento.
Gosto de linhas curvas, gosto de linhas que se cruzam e entrecruzam.
Gosto da imperfeição.


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Inquebrável

13 de agosto de 2017


O mundo de cada um é um pequeno frasco de vidro que flutua num mar imenso.
Esse pequeno frasco é invisível aos olhos, mas está sempre ao nosso redor.
Ora está aberto e deixa-nos sentir a natureza, ora está fechado e deixa-nos sem sentidos.
Quando uma onda negativa embate em nós sabemos que nos abala, mas nunca sabemos quão difícil é recuperar.
Envolvidos no mar salgado e revolto hesitamos entre resistir ou aceitar a calmaria do fundo do mar.
São tempos revoltos os que às vezes vivemos, mas acredito que na vida há sempre uma nova onda por chegar.
 
Cada frasco tem o seu tamanho e feitio, mas todos são inquebráveis enquanto houver esperança.
É a esperança que nos mantem inteiros mesmo quando estamos despedaçados.
 
 
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A marioneta

1 de agosto de 2017


Que poder temos sobre nós próprios?

Já acreditei que quem comanda a vida somos nós, já desconfiei que o nosso destino está traçado.
Ultimamente ando fora do meu controlo, faço o que a vida exige de mim sem sequer parar para pensar e sem saber
 ao certo onde me vai levar.
Sinto-me uma marioneta, vou por aqui e por ali conforme decidem. 
Aos poucos vou esquecendo o meu ritmo e corro sem tempo por aí.
Sinto-me uma marioneta sem decisão, uma marioneta nas mãos de quem se esquece do meu eu.
Aos poucos vou esquecendo os meus desejos e só cumpro as obrigações.
Apesar disso, ainda me lembro de que a vida não são só obrigações e, mesmo que fosse,
 a nossa maior obrigação é lutar pela nossa felicidade.

É necessário cortar as linhas que nos suportam, mas que nos impedem de ser livres.
 É necessário cair para termos a possibilidade de recomeçar.
É necessário ser feliz.


*
Vou finalmente retomar este rumo e voltar a acompanhar os vossos blogues.
Foi uma ausência que não desejei, mas que não consegui evitar. 
Agradeço a todos os que foram por aqui passando e a todos os que me foram deixando palavras de carinho,
é também graças a vocês que este rumo faz sentido.
Um beijinho, até já!


Não sei

17 de junho de 2017

Imagem | Pixabay

A vida prega-nos sustos, não sei se para nos ajudar se para nos derrubar.
Sei que a vida espreita em cada esquina, mas não sei se nos persegue ou se nos protege, se nos empurra ou se nos ampara.
Corremos tanto atrás da vida que acabamos por tropeçar e cair.
À primeira levantamo-nos depressa e cheios de força,
À segunda dizemos para nós mesmos que não nos magoa, apesar de já termos uns arranhões.
À terceira dói e demoramos a levantar-nos,
À quarta ponderamos se vale a pena voltar a estar de pé...
Não sei se vale a pena, mas sei que ficar no chão é que não vale mesmo a pena.
É difícil suportar os abalos, mas não há volta a dar,
quando estamos mais perto do que nunca sobra cansaço e desmotivação,
mas não vale recuar.
Às vezes, tudo o que precisamos é de pôr um ponto final no que nos consome,
por isso pega nessas forças que te restam e luta por esse fim.
O fim nem sempre é um problema, por vezes é a solução.
 
 
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Disse ao vento #3

 
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